Por que você faz coisas que não queria fazer?

Uma conversa entre o que você sente, o que você pensa… e o que você não percebe

Você já abriu a geladeira… sem estar com fome?

Ficou alguns segundos olhando, como se estivesse procurando algo, mas, na verdade, nem sabia o quê.

E então, mesmo sem fome, pegou alguma coisa.

Minutos depois, veio o pensamento:

“Por que eu fiz isso?”

Se você já passou por isso…fica tranquilo. Você não está sozinho.

E, mais importante:

isso não aconteceu “do nada”.



O começo de tudo: o inconsciente


Na psicanálise, existe um conceito fundamental que muda completamente a forma como entendemos o comportamento humano:

O inconsciente

Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise, defendia que grande parte da nossa vida psíquica acontece fora da consciência.

Ou seja:

Você não tem acesso direto a tudo o que sente, deseja ou pensa.

Mas isso não significa que essas forças não estejam atuando.

Muito pelo contrário.


Um exemplo simples (e real)

Vamos voltar à geladeira.

Você não estava com fome.

Mas abriu a porta mesmo assim.

Isso pode parecer uma decisão simples…

mas, na perspectiva psicanalítica, pode envolver muito mais.

Talvez:

  • um desconforto emocional que você não identificou
  • uma ansiedade leve acumulada ao longo do dia
  • um hábito aprendido como forma de “alívio”

Nada disso passou pela sua consciência de forma clara.

Mas estava lá.

O que está por trás disso?

Freud propôs um modelo da mente dividido em três instâncias:

  • Id
  • Ego
  • Superego

Id

O Id é a parte mais primitiva da mente.

Ele funciona pelo princípio do prazer.

Quer satisfação imediata.
Sem filtro.
Sem lógica.

“Eu quero. Agora.”


Ego

O Ego é o mediador.

Ele tenta equilibrar:

  • os impulsos do Id
  • as exigências da realidade

“Ok… mas será que dá?”


Superego

O Superego representa normas, valores, regras internas.

“Você não deveria fazer isso.”

O conflito invisível

Agora imagina essa cena acontecendo dentro de você:

  • O Id sente um desconforto e busca alívio
  • O Ego tenta dar uma explicação plausível
  • O Superego julga

E tudo isso acontece… em segundos.

Sem você perceber.

A racionalização: quando o cérebro “explica” depois

Depois que você pega o alimento…

vem o pensamento:

“Ah, eu mereço.”
“Foi um dia difícil.”
“Só hoje…”

Esse processo tem um nome:

Rracionalização

Um dos chamados mecanismos de defesa do Ego.

Ele cria explicações lógicas para comportamentos que, na verdade, têm origem emocional.

E por que isso importa?

Porque a maioria das pessoas acredita que:

Primeiro pensa
Depois decide
Depois age

Mas, na prática, muitas vezes acontece o contrário:

sente
age
explica

Um outro exemplo (pra aproximar ainda mais)

Você já respondeu alguém de forma mais agressiva do que gostaria?

Na hora, parecia totalmente justificável.

Mas depois…

veio o arrependimento.

E a pergunta clássica:

“Por que eu falei daquele jeito?”

A repetição dos padrões

Na psicanálise, existe um conceito chamado:

Compulsão à repetição

Ele descreve a tendência que temos de repetir comportamentos, mesmo quando eles nos prejudicam.

Isso acontece porque:

Aquilo ainda não foi compreendido

Então… você não tem controle?

Calma.

A ideia aqui não é dizer que você não tem controle sobre a sua vida.

Mas sim mostrar algo mais importante:

Você não controla tudo

E está tudo bem.

O ponto de virada

A mudança começa quando você passa a:

  • observar o que sente
  • questionar suas reações
  • perceber padrões

Antes de simplesmente agir

E é aqui que entra a psicanálise

A psicanálise não serve para dizer o que você deve fazer.

Ela serve para algo mais profundo:

Te ajudar a entender por que você faz o que faz

Conclusão

A próxima vez que você se pegar fazendo algo sem entender muito bem o motivo…

em vez de se julgar…

tente se perguntar:

“O que pode estar por trás disso?”

Essa simples pergunta já é um começo.

Se esse tipo de reflexão faz sentido pra você…

Acompanha os próximos artigos
e compartilha com alguém que também vive essas pequenas “contradições do dia a dia”

Porque, no fundo…

entender a própria mente


é um dos maiores passos para transformar a própria vida.

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